MOVIMENTO ABI LUTA PELA DEMOCRACIA CONVIDA. PARTICIPE! Encontro Virtual 5a.feira - dia 13/01/2022 - 6 e meia da noite (18H30)


Fotomontagem de responsabilidade de OutrOlhar (Moysés Corrêa) (*)

MENSAGEM DE OUTROLHAR
Vou compartilhar com vocês, abaixo, um documento que acaba de sair do
Movimento ABI Luta pela Democracia, aquele que elegeu a atual gestão (2019-2022) da ABI - Associação Brasileira de Imprensa e renovou completamente (2020 e 2021) o Conselho Deliberativo (órgão que representa os associados durante os intervalos entre as assembleias gerais). Teremos eleições gerais em abril desse ano. A ABI é única entidade da sociedade civil que conheço que realiza eleição todo ano. O movimento está mobilizado mais uma vez para envolver o maior número possível de associados e não associados no debate sobre o papel da ABI, seu plano de ação para o próximo triênio e a construção de uma chapa unitária para disputar as eleições de abril. 
Ass.: Moysés Corrêa, membro efetivo do Conselho Deliberativo, eleito em 2020.

Vai tudo explicado abaixo, pelo próprio movimento. 👇🏽

Convidamos todo o corpo de associados da ABI e demais jornalistas interessados para uma conversa sobre as próximas eleições gerais na entidade. Encontro virtual às 18h30 da quinta-feira, dia 13 de janeiro. Marque na agenda e envie seu nome para moyses1953@hotmail.compara ter acesso à sala de Zoom, assim evitamos a ação de hackers. 

Entre muitos outros, participaram do resgate da ABI em 2019 e/ou foram eleitos pelo movimento ABI Luta pela Democracia em eleições subsequentes, permanecem comprometidos com seus propósitos e atuam hoje na coordenação do movimento: Arnaldo César Ricci, Beth Costa, Fichel Davit Chargel, Ivan Proença, Irene Cristina, Laurindo Lalo Leal Filho, Marcelo Auler, Maria Luiza Franco Busse, Moacyr Oliveira Filho, Moysés Corrêa, Octavio Costa e Vitor Iório.

Movimento ABI Luta pela Democracia

Há três anos, quando o autoritarismo voltava a assombrar o país com a condução de Jair Bolsonaro à Presidência, um grupo de jornalistas, historicamente ligados à Associação Brasileira de Imprensa (ABI), decidiu que era hora de se irmanar para reagir à altura da extrema gravidade do momento. Como em outras situações críticas da história do Brasil, surgiu um movimento coletivo com a intenção de levar  a ABI a cumprir mais uma vez seu destino democrático.

Uma ideia reunia esses profissionais: resgatar a centenária ABI, nossa entidade tradicionalmente mais republicana, das mãos de sucessivas gestões entorpecidas pelo descaso, a omissão, a gestão predatória e mesmo pelo conluio com o fascismo que renascia em versão extrema e perniciosa.

O ideal que movia esses jornalistas, unidos de norte a sul no movimento ABI Luta pela Democracia, portava o mesmo espírito das campanhas cívicas da história brasileira, em que a ABI sempre assomou como herdeira dos anseios de liberdade, envolvendo-se sem vacilação em todas as grandes campanhas pela democracia e os direitos humanos, contra os fascismos e as injustiças sociais e em defesa das nossas riquezas e da soberania nacional.

Um tal chamado ganhou imediata e inquestionável adesão do meio jornalístico. O movimento ABI Luta pela Democracia venceu por larga margem as eleições de junho de 2019 para a direção da nossa entidade, derrotando chapas alinhadas de uma forma ou de outra ao autoritarismo que emergia. Em meio ao cenário político ameaçador, a Casa do Jornalista foi resgatada. As duas eleições subsequentes, para renovação do Conselho Deliberativo, confirmaram o respaldo generalizado aos ideais e à prática do movimento.

Assim foram sendo lançadas as bases para a realização dos grandes objetivos políticos do nosso programa de 2019:

Nós repelimos Bolsonaro em suas seguidas e incessantes arremetidas contra o jornalismo e seus profissionais, em particular e de maneira covarde contra as mulheres jornalistas, alvo de uma média de seis ataques por mês no Brasil.

Nós ajuizamos uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) e uma Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), ora em tramitação no Supremo Tribunal Federal, para coibir ações e condenações injustificáveis contra jornalistas por todo o país.

Nós pedimos o impeachment de Bolsonaro com instauração de processo criminal por sucessivos crimes de responsabilidade, evidenciados em suas ações e omissões prejudiciais à saúde pública, especialmente calamitosas no caso da negação da existência da pandemia, causando, em consequência, sérios atrasos na vacinação contra a Covid-19.

Nós denunciamos as ameaças golpistas emitidas pelo presidente da República e seu entorno.

Frente ao cortejo de ilegalidades do governo Bolsonaro e sob a inspiração do nosso movimento, a ABI soube se apresentar com resoluta prontidão.

A partir das eleições de abril deste ano para renovar as instâncias de direção da ABI, caberá à entidade ativar seu poder de atrair associados, incorporar jovens jornalistas, ocupar-se de sua reconstrução administrativa e avançar em sua democracia interna.

Cumpre, agora e acima de tudo, defrontar-se com as ameaças golpistas às eleições presidenciais de outubro e novembro no Brasil e se empenhar na eleição e posse pacíficas de um governo comprometido com a democracia e a mudança social. Em paralelo, aprimorar os esforços da entidade na defesa da comunicação, agregando os profissionais e seus interesses, bem como as diversas entidades da sociedade envolvidas na defesa da democracia.

Realizados quase todos os compromissos assumidos em 2019, vamos prosseguir no mesmo caminho em 2022. Embora o que já conquistamos nos orgulhe, ainda há promessas feitas a serem cumpridas, como a da democracia interna.

Estamos retomando o rumo histórico cujas raízes estão plantadas no exemplo heroico de Barbosa Lima Sobrinho, eterno presidente da ABI. Ele arriscou tudo em sua luta contra os esbulhos à democracia e aos direitos humanos cometidos então pelos “cães da ditadura”, nas palavras de Ulysses Guimarães, seu companheiro anticandidato à Presidência da República no auge da ditadura civil-militar de 1964.

Nesses momentos intranquilos, a única certeza no horizonte são as turbulências que a falange presidencial e seu séquito irão desencadear em conjunto com sérias ameaças à livre circulação e à veracidade das informações, que levam o país a despencar no ranking da liberdade de imprensa.

Para confrontar o cortejo de arbitrariedades postas em prática diuturnamente por Bolsonaro em asqueroso estribilho, o movimento ABI Luta pela Democracia mantém vivos os ideais e compromissos defendidos desde sua origem, permanecendo aberto a novas adesões para enfrentar os desafios pela frente.

Proposta de plano de ação para o triênio 2022-2025

Em julho de 2021, o Movimento ABI Luta pela Democracia começou a debater um plano de ação de curto, médio e longo prazo, com vistas às eleições de abril de 2022. A chapa a ser eleita em abril deve resultar do debate democrático interno e deve se comprometer seriamente com um plano de ação em oito eixos, cujo resumo apresentamos a seguir e que permanece aberto a contribuições. 

Resumo do plano de ação

Escreva pra (moyses1953@hotmail.com) e receba o documento completo, com 17 páginas. Está à disposição dos interessados.

I. Democracia interna
Os eleitos devem postular o respeito aos associados, a fluidez da comunicação e o trato democrático do dissenso entre as várias instâncias de direção. O princípio endossado neste plano de ação é de um comando colegiado. Outro compromisso assumido em 2019 não foi cumprido: a reforma do Estatuto, em que trabalharam por quase três anos duas comissões e o Conselho Deliberativo, mas que ainda não foi aprovado em Assembleia Geral.

II. Gestão e finanças
Constituir um Comitê Operacional, composto majoritariamente por diretores, consultores externos e observadores dos três conselhos da entidade. Esse Comitê Operacional deve elaborar o novo modelo de negócios, com prioridade para o saneamento financeiro e a recuperação do edifício-sede, respeitando as propostas elencadas neste plano de ação.

III. Política nacional
Dar continuidade ao trabalho realizado pela atual gestão nessa área, estabelecendo uma articulação política permanente com dois campos fundamentais da sociedade civil brasileira:
de um lado, com entidades como OAB, Comissão Arns, CNBB, SBPC, ABJD, AJD, Transforma MP e Clube de Engenharia, entre outras;
de outro, com as mais de 20 organizações de jornalistas existentes no país – Fenaj, JEduca, ComCiência, APJor, RBJA, AJor e ABMD, entre outras. Timidamente, a ABI tem estado a reboque de importantes iniciativas dessas organizações, em vez de contribuir para a articulação entre elas.

IV. Jornalismo e jornalistas
Monitorar toda e qualquer iniciativa legislativa de interesse do jornalismo e dos jornalistas, como é o caso da Lei de Meios, da Lei das Fake News, dos PLs propostos pelo movimento Conteúdo Jornalístico tem Valor, de PLs para regular as plataformas digitais e de PLs para voltar a regulamentar a profissão, inclusive uma Nova Lei de Imprensa. 
Grupos de trabalho e/ou estudos desses PLs podem e devem ser criados.
Persistir nas interpelações judiciais de governantes, parlamentares, juízes e desembargadores que agridem o jornalismo e os jornalistas.
Lutar por uma mídia pública, em especial a EBC, os Canais da Cidadania e as rádios comunitárias, até sua implantação como política de Estado regulamentada.
Estruturar uma área de formação e qualificação de jornalistas, mediante parcerias com universidades federais e estaduais. 
Denunciar e combater a proliferação de entidades que usaram o fim do diploma para auferir lucros com a venda de “diplomas” e carteirinhas de jornalista.
Definir políticas para lidar com o “deserto de notícias” (jornalismo regional e local) e com duas novíssimas áreas do Jornalismo, que se entrecruzam: o jornalismo nativo do meio digital e o jornalismo das periferias.
Implantar o Código de Ética da ABI e constituir a Comissão de Ética da entidade.

V. Sociedade civil
Envolver grupos de trabalho e estudo da ABI com grupos da sociedade civil que tratam de problemas recorrentes ou emergentes na vida dos brasileiros: segurança pública e violência policial; pandemia; a volta da fome no país; meio ambiente; soberania nacional; política indigenista; questão quilombola; e questões identitárias (racismo, homofobia, misoginia etc., que são transversais aos temas anteriores). 

VI. Novas tecnologias
- Participar, como entidade, dos vários conselhos públicos e privados que se ocupam de fiscalizar as políticas criadas para o setor de comunicação e telecomunicações. Criar internamente um núcleo de profissionais para analisar e entender as mudanças sob o ponto de vista dos usuários, da soberania nacional e da sociedade civil organizada.
- Condição sine qua non para muitas das propostas deste eixo enumeradas no documento completo é modernizar o prédio inteiro, incluindo a instalação de fibra óptica e de um sistema eficaz de conexão sem fio em todos os andares, o que dependerá das soluções encontradas no Eixo II (Gestão e Finanças).

VII. Cultura e lazer
Dar continuidade ao trabalho de resgate do papel da ABI como agente cultural:
Transformar a ABI num centro cultural, buscando parcerias com outros centros culturais, como o CCBB ou a Biblioteca Nacional.
Buscar patrocínio especificamente para restauração e modernização dos auditórios da ABI, que podem e devem ser incorporados ao roteiro de equipamentos culturais da Prefeitura do Rio de Janeiro.
Reorganizar, restaurar e digitalizar o acervo da Biblioteca Bastos Tigre; convertê-la em centro de estudos da Comunicação e da História da Imprensa no Brasil.

VIII. Corpo de associados
O atendimento aos associados, inclusive para filiação, permanece ineficiente:
Digitalizar e atualizar urgentemente a lista de sócios adimplentes e inadimplentes da ABI e manter as listas atualizadas no site da entidade.
Manter digitalizadas e atualizadas, também no site, as listagens de membros das instâncias de direção, registrando mudanças na composição da diretoria e dos conselhos.
Organizar uma Campanha Nacional de Filiação, mediante a articulação de uma rede de representações estaduais e/ou regionais.
Criar um grupo de trabalho para estudar a viabilidade de restaurar alguns serviços de assistência social.

16MAR2016 - BETO ALMEIDA: Lavajato quer tirar Brasil do BRICS e CELAC

Não deveriam ficar em segundo plano, os impactos internacionais que a Operação Lavajato pode trazer, com a possibilidades de alterar, sobremaneira,  o xadrez  geoestratégico mundial . Aliás, alguns destes impactos já estariam ocorrendo, na medida em que   jornais especializados em economia, destinado a público empresarial, alertam para a “insegurança jurídica” que já teria desencorajado  aos investidores que formam parte de projetos liderados pela Petrobrás e pelas grandes empresas de engenharia nacional, responsáveis por obras indispensáveis, tanto no Brasil como no exterior.

Durante muitos anos, a Petrobras e suas subsidiárias galgaram posições em numerosos projetos energéticos em países da América Latina, Oriente Médio e África. A ampliação da presença da maior estatal brasileira, um dos frutos principais da Era Vargas,  foi  acompanhada pela presença de empresas de engenharia brasileira, reconhecidas internacionalmente pela sua excelência, que também  assumiram obras de grande porte em diversos países destas regiões citadas. Essa ampliação do raio de ação começou bem antes de Lula ter chegado à presidência, ainda no regime militar.

Petrobrás: presença do Brasil no mundo

As relações estratégicas do Brasil com determinados países sempre foi assunto de indisfarçável importância na geopolítica mundial. Jango expandiu significativamente as relações de cooperação entre Brasil e URSS, e também com a China, quando foi surpreendido pelo golpe cívico-militar organizado a partir da Casa Branca, com volumoso uso de recursos financeiros para interferir no Congresso Brasileiro e nos meios de comunicação. Com a instalação da ditadura, o afastamento entre Brasil e URSS e China foi uma imposição norte-americana,  bem como a ruptura de relações com Cuba, só reatadas no Governo de José Sarney, em 1986.

Ainda no governo de Ernesto Geisel, o Brasil retoma um processo de reaproximação com  a China , a URSS e outros países do Leste Europeu, ao mesmo tempo que a política externa brasileira  vai colecionando áreas de conflitos com os EUA. Por exemplo, quando o governo brasileiro reconhece o governo de Agostinho Neto, em Angola, ainda no dia 11 de novembro de 1976. Kissinger veio ao Brasília e reclamou da posição brasileira em Angola, afirmando que o Brasil estaria fazendo o jogo de Cuba, uma impertinente admoestação que  Ernesto Geisel  respondeu afirmando que “a política externa brasileira não estava em discussão na agenda”.

Aquela política externa havia possibilitado a presença brasileira, sob a forma estatal ou de empresas de engenharia em numerosos projetos  de infraestrutura decisiva em  muitas regiões, especialmente em países com  políticas de soberania nacional e resistência às interferências indevidas dos EUA. Assim, vimos como os bombardeios da Otan, chefiada pelos EUA,  demoliram a infraestrutura do Iraque, em grande parte construída por  empresas brasileiras, muitas delas alvo, hoje,  da Operação Lavajato, tendo muitos de seus proprietários ou executivos, presos sem acusação definida,  prisões que exorbitam  toda a rotina judicial, colocando o direito de cabeça para baixo, no que adquire, portanto,  inevitável significado político.

Agressão da Otan prejudicou engenharia brasileira

Após os bombardeios, o Iraque foi ocupado por empresas petroleiras norte-americanas, como a Halliburton, de propriedade do então vice-presidente dos EUA , Dick Cheyne. Ou seja, as empresas brasileiras de engenharia também foram vítimas de operação militar imperial. O mesmo se repetirá, anos depois, quando 166 dias de bombardeio da OTAN  demoliu toda a infraestrutura da Líbia, em grande parte obra de empresas brasileiras, as mesmas que hoje encontram-se sob bloqueio da Operação Lavajato. A participação brasileira na economia da Líbia, havia colaborado para levar aquele país, então liderado por Moamar Kadafi, a se transformar na nação com os mais elevados indicadores de desenvolvimento humano de toda a África.  Com a vitória militar da Otan, lastreada em sanguinária ilegalidade, e ocupado o país,  as empresas brasileiras foram  afastadas, substituídas por outras dos EUA e da França , enquanto  a Líbia regride a níveis de barbárie, além de ser  alvo de indecorosa rapina por parte de países que se consideram democráticos e humanitários.

Na medida em que operadores da Lavajato,  Justiça Federal e Ministério Público Federal,  levam informações estratégicas de Petrobrás a, ademais,  autoridades dos EUA, solicitando ajuda nas investigações,  a dimensão geopolítica desta operação salta à vista. O quadro é mais complexo se atentarmos para o convênio operacional  entre Polícia Federal e o FBI  -  convênio firmado no governo FHC e não questionado nos últimos anos   -  tendo em vista a forte influência exercida pela instituição norte-americana sobre a brasileira.

Apoio externo a manifestações no Brasil

As informações amplamente divulgadas dando conta de que organizadores das manifestações no Brasil, a partir de junho de 2013,  recebem apoio, inclusive financeiro, de fundações e entidades sediadas nos EUA, remetem à conexão que deve ser destacada entre os objetivos geopolíticos estadunidenses  , especialmente focalizados para  países com ampla riqueza petroleira e peso econômico e político internacional, como é o caso do Brasil, e os resultados práticos da Operação Lavajato.

A orientação política implementada por Lula, fortalecendo  a aliança estado e grandes empresas de infraestrutura, com capacidade de servir de alavanca na materialização de obras e projetos que viabilizam e reforçam a integração regional latino-americana  e uma presença brasileira efetiva  na África, despertou irritação imperial. O ingresso do Brasil nos BRICS, recuperando e potencializando uma linha  estratégica que estava em curso no governo Jango  (abandonada na era FHC) ,  assume uma importância que projeta novo papel do Brasil no mundo, como destacado aliado de países que não se submetem a ditames de Washington.

Junte-se a  este cenário,  o reforço que os governos Lula e Dilma conferiram ao papel das Forças Armadas e à indústria bélica, que, durante o governo FHC registrou  um processo de demolição e de raquitismo orçamentário, condizentes com o pensamento do presidente sociólogo de se submeter às ordens para implementar um desarmamento unilateral, reservando ao Brasil uma presença secundária e dependente na cena internacional. Pior ainda, dotado de amplo território e amplas riquezas energéticas, a política do ex-presidente FHC  colocara o Brasil em posição temerária e vulnerável, pois o desarme unilateral e a desindustrialização, inclusive bélica, ocorriam no mesmo momento em que os países intervencionistas imperiais  ampliavam suas ações agressivas por via militar, expandindo sua presença  para os quatro cantos do planeta, para o que multiplicaram seus orçamentos militares ameaçadores.

Querem retirar o Brasil do BRICS

Assim, retirar o Brasil dos BRICS, afastá-lo de países como Rússia , China, Índia e África do Sul, é evidentemente uma pretensão de Washington, razão pela qual não se pode descartar conexões entre a Operação Lavajato e aquela pretensão, sobretudo para reduzir a presença efetiva do Brasil, política, mas também produtiva, nas iniciativas estratégicas como Celac, Unasul e , como já mencionado, os BRICS. Somente analisando por esta lógica se pode compreender a excepcional  e incompreensível punição de 19 anos de prisão, conferida pela Operação  Lavajato ao presidente da Odebrecht, empresa que, em aliança operacional com o Estado Brasileiro, herdado da Era Vargas,  realiza obras de enorme envergadura estratégica , entre elas a construção do Porto de Mariel , em Cuba, capaz de promover uma revolução produtiva dentro da Revolução Cubana. Com isto, projeta  novo alcance estratégico para  a economia da Ilha e para toda aquela região, bem como para pavimentar maior presença da China na América Latina. O rigor exagerado da pena ao executiva desta empresa soa como um castigo por haver “colaborado com governos de orientação anti-imperialista”.

Ao ter como alvo uma paralisação produtiva da Petrobras, trazendo  amplo desemprego nas obras desta estatal em parceria com empresas também alvo de investigações e de ações paralisantes, a Operação Lavajato,  cria uma situação que, objetivamente,  favorece a presença de empresas estrangeiras em áreas estratégicas da economia brasileira.  No Iraque e na Líbia, esta pavimentação das empresas dos EUA e de outros países imperiais deu-se por meio de  bombardeio. Aqui no Brasil, este objetivo se pretende alcançar por meio de uma ação paralisante da economia de boa parte do PIB, representada pela Petrobrás e sua cadeia produtiva, bem como por um conjunto de ações visando desestabilizar as forças políticas, seletivamente o PT, que foram capazes de dar sustentação institucional a esta aliança estado-empresas que vem possibilitando  a realização não apenas ,  de obras fundamentais de infraestrutura, mas, também ações  na esfera social, como o Mais Médicos, Bolsa Família, Luz para Todos, financiados pelo aumento de arrecadação que aquela aliança estado-empresas  possibilitou.

Lula, ministro

Lula deixou a presidência da república com 80 por cento de popularidade. Enquanto Bill Clinton é enaltecido pelas palestras que oferece em todo o mundo, inclusive aqui no Brasil, Lula, que é convidado a palestrar, em inúmeros países,  sobre como reduziu a miséria em seu governo, passa a ser questionado e acusado de cometer irregularidades ao defender interesses brasileiros em escala internacional. Os meios de comunicação brasileiros se associam a interesses externos em detrimento do estado, das empresas e do mercado de trabalho brasileiros, dando preferência a empresas estrangeiras, inclusive sustentando campanhas para a desnacionalização da Petrobrás e do petróleo pré-sal.

Vale contar uma história de como, em 1980, a Odebrecht perdeu uma concorrência no Chile de Pinochet. Recém eleito, Ronald Reagen, telefonou diretamente a Pinochet para interferir numa licitação para uma obra de infraestrutura no país andino, para que ela não fosse vencida pela Odebrecht e sim por uma empresa dos EUA, tal como veio a ocorrer.  Reagan prometeu a Pinochet que desativaria a campanha de direitos humanos que o Presidente Carter vinha fazendo contra a sanguinária ditadura chilena......Este é o jogo do poder.

Tanto a Operação Lavajato com a política dos meios de comunicação em sua sustentação, cúmplice de vazamentos seletivos de informações que, pela lei,  deveriam estar em segredo de justiça,  servem ao mesmo objetivo de beneficiar , em última instância, a desnacionalização da economia brasileira, a demolição da engenharia nacional, a privatização da Petrobrás, e, com isto, a redução da capacidade do Brasil de ser alavanca apoiadora da integração da América Latina e de ter, com os países do BRICS, sobretudo Rússia e China, uma cooperação capaz  de fazer frente ao crescente intervencionismo dos EUA em várias regiões,  especialmente onde haja petróleo e riquezas estratégicas, das quais o Brasil é exemplo.

Sob este mesmo ângulo de análise, não deve ser esquecida a simbologia contida da controvertida prisão do Almirante Othon Pinheiro, uma das grandes cabeças do Programa Nuclear Brasileiro, presidente da Eletronuclear,  valendo a lembrança de que o esforço nacional em matéria de energia atômica, iniciado também na Era Vargas, tendo à frente do Almirante Álvaro Alberto, sempre encontrou perseguição por parte dos EUA. Prova disso foi o sequestro de turbinas atômicas  que o Brasil encomendou à Alemanha, em pleno Porto de Hamburgo, em 1952, ´praticado por militares dos EUA.   Este objetivo, de impedir que o Brasil seja um protagonista também na indústria nuclear, sempre declarado pelos EUA, encontra, agora, um reforço na Operação Lavajato, que mantém preso, há vários meses, um almirante respeitado em todo o mundo por suas qualidades de inovação científica e tecnológica no setor. O alvo, sem dúvida, declarado ou não, é impedir que o Brasil conclua seu projeto de construção do submarino nuclear, tão apoiado por Lula e Dilma., indispensável para assegurar soberania brasileira sobre o petróleo pré-sal.

Em se transformando em Ministro, Lula, com presença diária na definição de políticas de estado, certamente vai ajudar a priorizar  as ações de impacto popular de curtíssimo prazo, não uma linha de recuperação convencional de longo prazo como, de modo alienado, para esta conjuntura dramática, vem sendo defendido pelo Ministro da Fazenda,  Nelson Barbosa. Lula ajudará, com sua lucidez e visão geoestratégica,  na organização de condições políticas internas visando a  recuperação da capacidade de iniciativas do governo para, com isto, dar continuidade a uma cooperação crescente do Brasil com os BRICS, a Celac e a Unasul, bem como uma presença efetiva na África, para onde os países imperiais só enviam contingentes militares. Assumindo o Ministério, Lula e o governo Dilma enviarão ao mundo democrático e progressista uma mensagem de esperança.

Beto Almeida
Jornalista
15.03.2016